domingo, 11 de abril de 2010


Veste-se de negro, mergulha na ausência,
traz sonhos envoltos em mágoas, em mentes quebradas,
em rios parados, em mundos desfeitos, em doses de nadas.
Não se manifesta pela voz nem pelo brilho,
mas de mão dada com a noite vela-nos o riso,
quebra-nos o mar que para nós construimos!
Afastamo-la delicadamente e ela regressa,
não se submete, invade-nos,
não se compromete, cega-nos.
Não se veste de cor, ausenta-se,
não conhece o amor, fundamenta-se.
E se à noite na leitura a afastamos da razão,
vira-nos as páginas,
toca-nos nos dedos,
humedece-nos os olhos …

é a solidão!
Os amigos são como as gotas de chuva: não temos que fazer nada para aparecerem, surgem na nossa vida e tocam-nos! Quando a amizade pura e genuína nos acompanha, há que orientar os passos no sentido do Sol, para que o seu brilho se faça sempre sentir. Aos amigos que me dão inspiração para viver resta-me agradecer, com palavras... a um amigo um poema:


Não te alimentes de amargura
Não te canses de existir
Faz da tua vida uma procura
Conta comigo para a descobrir

Não deixes de pintar
A vida com tranquilidade
Se não encontrares as cores
Pinta-a com amizade

Não deixes de ter brilho
Nos olhos e no andar
Se só encontrares escuridão
Há um amigo para te orientar

Não deixes de sorrir
Mesmo com lágrimas de solidão
Porque há sempre um amigo
Dentro do teu coração

Não deixes de pensar
Mesmo que o pensamento seja em vão
Porque na voz desse pensamento
Há sempre uma razão

Não deixes de procurar
Mesmo que não saibas o caminho
Se não conseguires encontrar



Não desistas, não estás sozinho!

sábado, 10 de abril de 2010


Há um mar que me envolve
E uma árvore
Que me dá raiz
Das ondas
Faço a minha música
Das folhas
O meu sentir
Na areia
Encontro a vida
Com os troncos
Reaprendo a rir
Com o azul
Vem esta dança
Da seiva
Retiro a esperança
Que me faz caminhar
Transformo a natureza agora
Mas antes que morra a hora
Lanço a minha árvore
Ao mar!



Alpiarça
11.04.2010
00h02

sexta-feira, 9 de abril de 2010

alfabeto sem A

Olhei para as ondas de um mar
Que de vermelho se faz
E o mar transformou-se em vida
E em espiga se desfaz

Do mar nasceu uma tela
Que para mim sorria
E de cada letra tão bela
Um sonho renascia

Vinham com as letras alguns ventos
Que de rosa se vestiam
Traziam certos sentimentos
E nas dunas se escondiam

Eram verdes os meus olhares
E na tela se encantaram
E vinham também as gaivotas
Que na areia desmaiaram

Dei um salto nas cores
Que pincelavam este sentir
Dos ramos saíram gestos
Que não me deixaram fugir

Deixei-me entrar neste quadro
E ao paraíso fui levado
Dele não quero mais soltar-me
Deixem-me ficar encantado.

quinta-feira, 8 de abril de 2010


Vem vida, deixa-me
Acariciar o veludo do teu tempo
Abre os teus braços
Deixa-me
Ouvir o som dos teus passos
Segue este branco
Em que registo
Estas letras que o não são mais
São sonhos
Deste tempo
Em que existo
E sem elas não viverei jamais
Vem vida, descruza-me
As linhas que vinhas tecendo
E com os dias desfazendo
As horas que não eram iguais
Segreda-me as palavras
Que só tu sabes segredar
Agora já não te resisto
Não serei eu se não insisto
Em abrir os sonhos
Para te abraçar.



Penacova (Felgueiras)
06.04.2010
18h59

A casa


Vozes
há vozes que já não se escutam
mas que ainda se ouvem
contam-nos segredos
tempos passados
memórias de espaços
preenchidos
habitados

E se as vozes nos chegam
deixemos que falem
que nos encantem
que nos embalem

São vozes que se renovam
num espaço que não morreu
perguntemos às vozes
por que chegaram a um mundo
que agora é meu

Ouço as vozes chamarem
um gato que adormeceu
no Sol deste chão
e o chão está gasto
e o gato enrola-se no tempo
que agora só ouve uma palavra:
solidão.

Memórias de uns dias no Minho


A vida faz-se de momentos, de experiências, de memórias, de lugares, de pessoas, de cores, de sons, de tudo!

Por vezes, exigimos demais da vida quando ela apenas nos pode dar simplicidade. Para quê pedir mais, se é com simplicidade que vamos construindo a nossa felicidade?

Os dias passados na Freguesia de Penacova (Vizela, Felgueiras) foram dias felizes, porque foram repletos de simplicidade, de muita amizade, de muito convívio, de excelente comida e de vinho fantástico. E o verde da paisagem, esse, morrerei com ele no olhar!!!!