sexta-feira, 9 de abril de 2010

alfabeto sem A

Olhei para as ondas de um mar
Que de vermelho se faz
E o mar transformou-se em vida
E em espiga se desfaz

Do mar nasceu uma tela
Que para mim sorria
E de cada letra tão bela
Um sonho renascia

Vinham com as letras alguns ventos
Que de rosa se vestiam
Traziam certos sentimentos
E nas dunas se escondiam

Eram verdes os meus olhares
E na tela se encantaram
E vinham também as gaivotas
Que na areia desmaiaram

Dei um salto nas cores
Que pincelavam este sentir
Dos ramos saíram gestos
Que não me deixaram fugir

Deixei-me entrar neste quadro
E ao paraíso fui levado
Dele não quero mais soltar-me
Deixem-me ficar encantado.

quinta-feira, 8 de abril de 2010


Vem vida, deixa-me
Acariciar o veludo do teu tempo
Abre os teus braços
Deixa-me
Ouvir o som dos teus passos
Segue este branco
Em que registo
Estas letras que o não são mais
São sonhos
Deste tempo
Em que existo
E sem elas não viverei jamais
Vem vida, descruza-me
As linhas que vinhas tecendo
E com os dias desfazendo
As horas que não eram iguais
Segreda-me as palavras
Que só tu sabes segredar
Agora já não te resisto
Não serei eu se não insisto
Em abrir os sonhos
Para te abraçar.



Penacova (Felgueiras)
06.04.2010
18h59

A casa


Vozes
há vozes que já não se escutam
mas que ainda se ouvem
contam-nos segredos
tempos passados
memórias de espaços
preenchidos
habitados

E se as vozes nos chegam
deixemos que falem
que nos encantem
que nos embalem

São vozes que se renovam
num espaço que não morreu
perguntemos às vozes
por que chegaram a um mundo
que agora é meu

Ouço as vozes chamarem
um gato que adormeceu
no Sol deste chão
e o chão está gasto
e o gato enrola-se no tempo
que agora só ouve uma palavra:
solidão.

Memórias de uns dias no Minho


A vida faz-se de momentos, de experiências, de memórias, de lugares, de pessoas, de cores, de sons, de tudo!

Por vezes, exigimos demais da vida quando ela apenas nos pode dar simplicidade. Para quê pedir mais, se é com simplicidade que vamos construindo a nossa felicidade?

Os dias passados na Freguesia de Penacova (Vizela, Felgueiras) foram dias felizes, porque foram repletos de simplicidade, de muita amizade, de muito convívio, de excelente comida e de vinho fantástico. E o verde da paisagem, esse, morrerei com ele no olhar!!!!

terça-feira, 30 de março de 2010

memórias...


Estou triste, calado e só
Tenho a alma mutilada
Sinto o corpo diluído em pó
Deixaram-me a alegria rasgada
Vesti o paraíso de negridão
E o olhar ficou parado
Embrulhei a esperança em solidão
Deixaram-me o riso quebrado
Tirei as cores das telas pintadas
E abandonei a dança no ar
Tenho as fantasias adiadas
Deixaram-me nos olhos um mar
Calei os sons do meu dia
E os pássaros ficaram sem ninho
As flores perderam a magia
Deixaram-me o coração sozinho
Rasguei os livros que não li
Para não ler palavras trocadas
Dos dias risonhos desisti
Deixaram-me as chamas apagadas
E se à noite o silêncio na vida
Se sobrepôs à melodia que chora
Então tenho a alma despida
Tragam-me a morte agora!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Nem nada nem ninguém acalma
A revolta que em mim nasceu
Roubaram-me os passos da alma
Levaram-me o sonho que era só meu
Tiraram-me a verdade e a alegria
E pintaram a vida de escuridão
Esconderam-me o sol durante o dia
Afastaram a melodia da canção
E se aos poucos reinventaram o medo
Para me acompanhar nas passadas
Tragam-me de volta o segredo
E reconquistarei as forças derrotadas
Devolvam-me o sorriso e as flores
Que conseguiram eliminar
Pincelem a minha existência com as cores
Com que eu a andava a pintar
Retirem do universo a hipocrisia
A solidão e a crueldade
Matem os sentimentos malignos
Reinventem a felicidade
Só assim renascerei
Para tudo em que acredito
E se não me deixarem falar
Será no silêncio que GRITO!

domingo, 28 de março de 2010

Nasces em cada tempo que passa
morres em cada beijo que se inventa

se não passas em tempo nem em beijos
inventa o tempo para que passes
em beijos que a morte lamenta