DANÇA DO PASSADO
Tenho sono
Fecham-se-me as pálpebras
Nesta hora de ir dormir já não consigo pensar
Mas resisto
Teimo comigo
Corpo, não te vás deitar
Mas os olhos ficam fechados
E mesmo com os dedos a escrever
Adormeço, já não consigo
Sinto o corpo a adormecer
Mas eis que de repente
Na escuridão do meu olhar
Vejo os fantasmas do passado
Vieram comigo dançar
Trazem-me as cores da minha infância
E o verde da minha saudade
Há neste regresso do tempo
Tempo sem nenhuma maldade
Sinto os cheiros que eram o meu mundo
E a minha letra, ainda perfeita, tão pequena
Viajo no tempo, mas não me afundo
Reencontro a vida serena
Vou contente para a escola
E levo bata branca vestida
Olho a bata e vejo as cores
Com que pinto a minha vida
Beijo a inocência desse viver
Abraço o pescoço da minha mãe
Afago-lhe os cabelos
Beijo-lhe os olhos
Invejo a paciência que ela tem
Cruzo-me com o meu pai
E no azul do seu olhar vejo-me ao espelho, sorrindo
É um azul que deste tempo não sai
Mas esse tempo era lindo
Há ainda uma casa pequena, umas árvores e a vida em flor
Não conhecia a palavra guerra
Conhecia o cheiro do chão, sempre a brincar
Mesmo em silêncio, tristonho
Sou agora eu, outra vez
Mas que importa, consigo sempre voltar
Mesmo que seja num simples sonho
domingo, 9 de maio de 2010
ANTEVISÃO
Há nos braços do meu tempo
Fios de seda, flores de mágoas
Há nos risos da vida
A sede feita de muitas águas
Não há tempo para a seda
Se reinventar em tecido
Só há tempo para as mágoas
Fazerem este tempo sentido
Há nos olhos do meu viver
Cores indecisas e sem fulgor
Há nas pernas da minha alma
Algum cansaço, alguma dor
Não há horizonte para os olhos
Nem telas por preencher
As pernas não querem andar
A dor insiste em permanecer
Há nas costas da minha alma
Um rio feito de saudade
Há no coração do meu sofrimento
O cheiro de não ter vontade
Não há alma que aguente
O sofrimento que este coração tem
Nem há saudade que se invente
Quando a alma cheiro não tem
Há na boca do meu pensamento
As palavras que não sabem sorrir
Há nos lábios que eu invento
Um sorriso por descobrir
Não há pensamento que esmoreça
Quando a boca quer falar
Nem sorriso que desapareça
Quando os lábios se querem fechar
Há nos cabelos da minha emoção
Tudo o que os mares querem oferecer
Há no rosto da criação
Algum tempo para eu viver
Não há emoção que eu não conheça
Nem mares que eu não queira percorrer
Há apenas mundo frio, tempo apagado
Quando a minha poesia morrer
Há nos braços do meu tempo
Fios de seda, flores de mágoas
Há nos risos da vida
A sede feita de muitas águas
Não há tempo para a seda
Se reinventar em tecido
Só há tempo para as mágoas
Fazerem este tempo sentido
Há nos olhos do meu viver
Cores indecisas e sem fulgor
Há nas pernas da minha alma
Algum cansaço, alguma dor
Não há horizonte para os olhos
Nem telas por preencher
As pernas não querem andar
A dor insiste em permanecer
Há nas costas da minha alma
Um rio feito de saudade
Há no coração do meu sofrimento
O cheiro de não ter vontade
Não há alma que aguente
O sofrimento que este coração tem
Nem há saudade que se invente
Quando a alma cheiro não tem
Há na boca do meu pensamento
As palavras que não sabem sorrir
Há nos lábios que eu invento
Um sorriso por descobrir
Não há pensamento que esmoreça
Quando a boca quer falar
Nem sorriso que desapareça
Quando os lábios se querem fechar
Há nos cabelos da minha emoção
Tudo o que os mares querem oferecer
Há no rosto da criação
Algum tempo para eu viver
Não há emoção que eu não conheça
Nem mares que eu não queira percorrer
Há apenas mundo frio, tempo apagado
Quando a minha poesia morrer
sábado, 8 de maio de 2010
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EU E TU
Vem
Vamos fazer um hino à esperança
Fazemos assim
Trazes os sons da música
Eu levo as asas e os movimentos da dança
E depois
Se alguma beleza faltar
Não tenhamos receios
Afogarei a minha voz
E o meu coração
Na brancura dos teus seios
Vem,
Vamos cantar o sonho
Somos capazes de o fazer
Basta contornar o tempo
Iludir a vida ou a razão
Veremos que o sonho vem
Não será mais ilusão
Vem,
Vamos escrever palavras belas
Soltas e com sentido
Pegamos nos sons
Desenhamos as letras
E no mar escrevemos
Apenas no mar
Todos os momentos que temos vivido
Vem,
Vamos voltar ao tempo
Em que a vida era feita a cantar
E a semear flores nas nossas mãos
Ou no nosso caminho
Se o tempo faltar
E se as flores tiverem morrido
Não te lamentes
É sinal que o tempo já está preenchido
Vem
Vamos desenhar as nuvens
Ou o voo das aves no céu despido
Que está à frente da nossa visão
Trazes as cores
Pintarei as asas
E o céu por cima das casas
Terá a cor da nossa paixão
Vem
Vamos ficar assim
Sem nada fazer
Sem nada exigir
Porque somos felizes sem qualquer condição
Agora aqui
Mas se te fores embora
Não olhes para trás
Para não veres as lágrimas
Que choro por ti.
Vem
Vamos fazer um hino à esperança
Fazemos assim
Trazes os sons da música
Eu levo as asas e os movimentos da dança
E depois
Se alguma beleza faltar
Não tenhamos receios
Afogarei a minha voz
E o meu coração
Na brancura dos teus seios
Vem,
Vamos cantar o sonho
Somos capazes de o fazer
Basta contornar o tempo
Iludir a vida ou a razão
Veremos que o sonho vem
Não será mais ilusão
Vem,
Vamos escrever palavras belas
Soltas e com sentido
Pegamos nos sons
Desenhamos as letras
E no mar escrevemos
Apenas no mar
Todos os momentos que temos vivido
Vem,
Vamos voltar ao tempo
Em que a vida era feita a cantar
E a semear flores nas nossas mãos
Ou no nosso caminho
Se o tempo faltar
E se as flores tiverem morrido
Não te lamentes
É sinal que o tempo já está preenchido
Vem
Vamos desenhar as nuvens
Ou o voo das aves no céu despido
Que está à frente da nossa visão
Trazes as cores
Pintarei as asas
E o céu por cima das casas
Terá a cor da nossa paixão
Vem
Vamos ficar assim
Sem nada fazer
Sem nada exigir
Porque somos felizes sem qualquer condição
Agora aqui
Mas se te fores embora
Não olhes para trás
Para não veres as lágrimas
Que choro por ti.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
SONHO
Comi cerejas azuis
No país da ilusão
Quase fiz amor com o vento
Mas resisti à tentação
Deixei-me levar pelas ondas
Que nestas janelas batiam
E o algodão em que me sento
Cheira a doce de melancia
Deitei-me nas penas que voam
Encharquei-me em pedras tão puras
Que sinto que as horas magoam
Nas dores cortantes, porque são duras
Levantei-me e andei despido
À porta do tempo parado
Bebi do vinho que andava perdido
Sem se ter embriagado
Olhei para dentro das árvores
E vi que estavam a falar
Dei conta da conversa que tinham
Mas recusei-me a participar
Enrolei os dedos em linho
Senti um fogo que me apagava
Aconcheguei-me na cama, sozinho
Abri os olhos… sonhava.
Comi cerejas azuis
No país da ilusão
Quase fiz amor com o vento
Mas resisti à tentação
Deixei-me levar pelas ondas
Que nestas janelas batiam
E o algodão em que me sento
Cheira a doce de melancia
Deitei-me nas penas que voam
Encharquei-me em pedras tão puras
Que sinto que as horas magoam
Nas dores cortantes, porque são duras
Levantei-me e andei despido
À porta do tempo parado
Bebi do vinho que andava perdido
Sem se ter embriagado
Olhei para dentro das árvores
E vi que estavam a falar
Dei conta da conversa que tinham
Mas recusei-me a participar
Enrolei os dedos em linho
Senti um fogo que me apagava
Aconcheguei-me na cama, sozinho
Abri os olhos… sonhava.
AMARGURA
Podem as águas voltar
Às nascentes de onde vieram
Podem as andorinhas emigrar
Porque o calor não receberam
Podem as flores murchar
Porque a seiva não beberam
Podem as chamas apartar
Os corpos que não aqueceram
Podem os sonhos regressar
Aos leitos que os esconderam
Só não pode o tempo fugir
Da vida ou deste cansaço
Só não podem as lágrimas iludir
A tristeza em que me desfaço
Só não pode o sol esconder-se
Por detrás da nuvem que inventei
Só não pode a tristeza meter-se
Onde o optimismo foi rei
Só não pode o infinito sem cor
Cegar os olhos já sem visão
Mas posso ir e não voltar
Se a esta vida disser que não!
Podem as águas voltar
Às nascentes de onde vieram
Podem as andorinhas emigrar
Porque o calor não receberam
Podem as flores murchar
Porque a seiva não beberam
Podem as chamas apartar
Os corpos que não aqueceram
Podem os sonhos regressar
Aos leitos que os esconderam
Só não pode o tempo fugir
Da vida ou deste cansaço
Só não podem as lágrimas iludir
A tristeza em que me desfaço
Só não pode o sol esconder-se
Por detrás da nuvem que inventei
Só não pode a tristeza meter-se
Onde o optimismo foi rei
Só não pode o infinito sem cor
Cegar os olhos já sem visão
Mas posso ir e não voltar
Se a esta vida disser que não!
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