ETERNIDADE
Era Primavera
E as magnólias vestiam-se de ternura
Havia cheiro de canela na tua presença
E sombras de danças no teu caminhar
Ao longe
Rodopiavas-te
E abraçavas a minha forma de loucura
Porque dizias
Que o meu juízo tinha sido feito para te embriagar
Estendias o brilho dos teus olhos
Pelas ruas que percorrias
E mesmo sem ver a tua face
Sei que sorrias
Trazias os brinquedos da infância na mão direita
E eu, sem qualquer suspeita,
Acreditava que eram para mim
Os sinos tocaram só para os teus passos
E no vestido que desenhava o teu corpo
Estavam desenhados tantos laços
Que o teu corpo parecia não ter fim
Na tua outra mão trazias um cravo
Da cor da nossa liberdade –
Vermelho, como os de abril
Lançaste-o ao ar
E ele coloriu toda a cidade
Gristaste o teu nome
E a multidão, assustada, veio às janelas
Às portas
Para o meio da rua
E formou uma fila brilhante e sadia
Beijaste o céu
E nele escreveste o meu nome
Mas depois, aos poucos, viste-me morrer
Depositaste as magnólias, os brinquedos e o cravo da liberdade
Sobre o meu peito
O meu ser começava a ficar desfeito
Mas aprendeste o meu nome
Eternidade.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Transparências da alma

As palavras insinuaram-se, caminharam até mim - de forma suave e transparente. Entraram na minha alma e aí estão, transformadas em livro, transformadas em poesia para que as transparências que transportam entrem na alma de qualquer um!!!
Aceita o convite, vem ao encontro daquela que pode também ser a forma mais bela de literatura: a poesia!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Pranto
Pode o céu ser a distância
Que me diz todos os segredos
E me revela em voz de ânsia
Os teus sonhos, limites ou medos
E no céu que inventarmos
Seja a hora da libertação
Seremos nós
Se no tempo pararmos
Eco da nossa ilusão
E é no vento que vem do céu
Que encontramos as melodias
Libertaremos asas e sonhos
Beberemos todas as nossas fantasias
Será no céu que a distância encurtaremos
E voz de todo um tempo seremos
Em uníssono
Em sofreguidão
Ouviremos sangue liberto
Grito e mar desperto
Dentro do coração
Para quê olhar o céu
Para quê voar sem asas
Somos tronco colado à terra
Arma vermelha usada em guerra
Paredes despidas das nossas casas
Para quê esperar o azul
Que de todas as cores vem despido
Há sempre um destino
Choro infeliz
Órfão menino
Que no mundo anda perdido
Para quê beber copos de ilusão
E esperar pétalas de sinfonia
Neste tempo mora a solidão
Em qualquer céu calou-se aquela canção
Intitulada alegria
Para quê gritar e ouvir
O silêncio impera
Calou-se o vento
Vestiu-se de negro a Primavera
No céu escreve-se a palavra lamento
Para quê inventar tempo
Reclamar idade
E olhar as mãos vestidas de dor
Mora aqui a saudade
Sufoca-me a sede de liberdade
Levaram-me o rio do amor.
Pode o céu ser a distância
Que me diz todos os segredos
E me revela em voz de ânsia
Os teus sonhos, limites ou medos
E no céu que inventarmos
Seja a hora da libertação
Seremos nós
Se no tempo pararmos
Eco da nossa ilusão
E é no vento que vem do céu
Que encontramos as melodias
Libertaremos asas e sonhos
Beberemos todas as nossas fantasias
Será no céu que a distância encurtaremos
E voz de todo um tempo seremos
Em uníssono
Em sofreguidão
Ouviremos sangue liberto
Grito e mar desperto
Dentro do coração
Para quê olhar o céu
Para quê voar sem asas
Somos tronco colado à terra
Arma vermelha usada em guerra
Paredes despidas das nossas casas
Para quê esperar o azul
Que de todas as cores vem despido
Há sempre um destino
Choro infeliz
Órfão menino
Que no mundo anda perdido
Para quê beber copos de ilusão
E esperar pétalas de sinfonia
Neste tempo mora a solidão
Em qualquer céu calou-se aquela canção
Intitulada alegria
Para quê gritar e ouvir
O silêncio impera
Calou-se o vento
Vestiu-se de negro a Primavera
No céu escreve-se a palavra lamento
Para quê inventar tempo
Reclamar idade
E olhar as mãos vestidas de dor
Mora aqui a saudade
Sufoca-me a sede de liberdade
Levaram-me o rio do amor.
domingo, 25 de julho de 2010
Tumulto em mim
Vim do tempo dos sorrisos
Da infância recuperada
Os meus olhos já não são precisos
Tenho na memória a vida guardada
Tenho água escorrendo entre os dedos
E os dedos já não são meus
Guardei longe todos os meus segredos
Fui ave em sonhos
Subi aos céus
Sou menino indefeso sem orientação
Criança inquieta de alma despida
Falo com as vozes do coração
São os sonhos a minha salvação
De noite revejo as imagens da vida
A lua cheia de vagas sonhadoras
Traz-me à memória histórias contadas
Em tempos idos
Em manhãs passadas
São momentos apenas vividos
São agora transparências resgatadas
Volto quando não quero
Ao país da ilusão
Vou com a chuva
Sou primavera
Campo verdejante nas noites de verão
Regresso em sonhos
Ao tempo da felicidade inteira
Das palavras obscuras
Ou simplesmente escondidas
Beijo os silêncios das minhas ternuras
E peço à minha voz
Que me devolva as cores outrora desaparecidas
Sou máquina parada
Sou ser pensante ou pequeno deus dormindo
Nas asas da memória
Revejo as margens da alegria adiada
E das sombras que dançam
Corro fugindo
Não sei do tempo
Não sei o que fiz nas manhãs incertas
Ausentei-me de tudo
Sou choro incerto
Abraço mudo
Transformei as lágrimas em ondas descobertas
Quero voltar a ser navio
Ou simples gaivota
Num mar sempre azul ou das cores que não entendo
Mas que quero sempre ver
Serei de novo livre
Se as memórias dormirem
Ou se o tempo pretérito desaparecer
Vim do tempo dos sorrisos
Da infância recuperada
Os meus olhos já não são precisos
Tenho na memória a vida guardada
Tenho água escorrendo entre os dedos
E os dedos já não são meus
Guardei longe todos os meus segredos
Fui ave em sonhos
Subi aos céus
Sou menino indefeso sem orientação
Criança inquieta de alma despida
Falo com as vozes do coração
São os sonhos a minha salvação
De noite revejo as imagens da vida
A lua cheia de vagas sonhadoras
Traz-me à memória histórias contadas
Em tempos idos
Em manhãs passadas
São momentos apenas vividos
São agora transparências resgatadas
Volto quando não quero
Ao país da ilusão
Vou com a chuva
Sou primavera
Campo verdejante nas noites de verão
Regresso em sonhos
Ao tempo da felicidade inteira
Das palavras obscuras
Ou simplesmente escondidas
Beijo os silêncios das minhas ternuras
E peço à minha voz
Que me devolva as cores outrora desaparecidas
Sou máquina parada
Sou ser pensante ou pequeno deus dormindo
Nas asas da memória
Revejo as margens da alegria adiada
E das sombras que dançam
Corro fugindo
Não sei do tempo
Não sei o que fiz nas manhãs incertas
Ausentei-me de tudo
Sou choro incerto
Abraço mudo
Transformei as lágrimas em ondas descobertas
Quero voltar a ser navio
Ou simples gaivota
Num mar sempre azul ou das cores que não entendo
Mas que quero sempre ver
Serei de novo livre
Se as memórias dormirem
Ou se o tempo pretérito desaparecer
Corpo que invento
Deixo que os nossos tempos se toquem
Aqui de madrugada meu amor
Deixo ainda que os nossos olhos permaneçam assim
Fechados para o mundo
Abertos para o nosso interior
Deixo que os nossos risos se confundam
E que partilhem o sabor húmido de um mar revolto
De um jeito luminoso
Nas nossas peles há o sal da praia onde não fomos
E o suave brilho deste nosso jeito
Carinhoso
Deixo que o tempo se esqueça de avançar
Mesmo sabendo que não o paramos
Mesmo sabendo que a terra se agita
Enlacemos de novo os corpos
Para que a nossa vontade gema
Quando em gemidos grita
Deixo que os nossos cabelos se entrelacem
E façam fios da cor inventada em cada movimento
São fios dourados
De amor desenhados
De poesia pura que para ti invento
Deixo que as nossas bocas segredem
Tudo o que só nós conseguimos ouvir
São segredos escondidos
Feitos de sonhos percorridos
Nas margens do rio para onde queremos sempre fugir
Deixo que a brancura do tempo cegue a escuridão do nosso passado
Fiquemos assim
Inquietos
Loucos mas felizes
De tudo capazes mesmo sem o saber
E sempre que a vontade de ausência venha
Estaremos prontos para o que a vida quiser
Deixo que os meus dedos toquem suaves nos lábios que beijo
E eles trazem para o meu corpo
A vontade que tens
De em mim viver
Deixo que acorde de noite sozinho
Nesta cama larga onde sempre me movimento
Deixo que as paredes tenham sombras
E que o meu corpo tenha o cheiro
Do teu corpo
Que agora invento
Deixo que os nossos tempos se toquem
Aqui de madrugada meu amor
Deixo ainda que os nossos olhos permaneçam assim
Fechados para o mundo
Abertos para o nosso interior
Deixo que os nossos risos se confundam
E que partilhem o sabor húmido de um mar revolto
De um jeito luminoso
Nas nossas peles há o sal da praia onde não fomos
E o suave brilho deste nosso jeito
Carinhoso
Deixo que o tempo se esqueça de avançar
Mesmo sabendo que não o paramos
Mesmo sabendo que a terra se agita
Enlacemos de novo os corpos
Para que a nossa vontade gema
Quando em gemidos grita
Deixo que os nossos cabelos se entrelacem
E façam fios da cor inventada em cada movimento
São fios dourados
De amor desenhados
De poesia pura que para ti invento
Deixo que as nossas bocas segredem
Tudo o que só nós conseguimos ouvir
São segredos escondidos
Feitos de sonhos percorridos
Nas margens do rio para onde queremos sempre fugir
Deixo que a brancura do tempo cegue a escuridão do nosso passado
Fiquemos assim
Inquietos
Loucos mas felizes
De tudo capazes mesmo sem o saber
E sempre que a vontade de ausência venha
Estaremos prontos para o que a vida quiser
Deixo que os meus dedos toquem suaves nos lábios que beijo
E eles trazem para o meu corpo
A vontade que tens
De em mim viver
Deixo que acorde de noite sozinho
Nesta cama larga onde sempre me movimento
Deixo que as paredes tenham sombras
E que o meu corpo tenha o cheiro
Do teu corpo
Que agora invento
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