terça-feira, 27 de abril de 2010

Há a dança de um cigarro
Que no fumo se destrói
e se desfaz
fumo vida
por que não te agarro
por que é que o teu tempo dói?
Há o sabor de um desespero
Que do cigarro se alimenta
e se lamenta
tempo morte
por que trocas as voltas à sorte?
Há a chama que se move
E que o brilho dos teus olhos comove
e chora
brilho ardor
por que espalhas dor
Neste tempo que foge à hora?
Há a efemeridade de um sopro
Que do fundo da alma vem
e fica a falecer
neste tempo sem o querer
por que afastas a luz da vida
sentindo a vida a morrer!

segunda-feira, 26 de abril de 2010


Choram os meus olhos vento
Canta a minha voz sem parar
Não
Não quero mais sofrimento
Não quero a neve do teu lamento
Quero o vento do meu olhar.
Bailam os meus dedos sozinhos
Bate o tempo que não tem lar
Não
Não quero revoltas, quero carinhos
Não quero as aves viúvas de ninhos
Quero os meus dedos no meu bailar.
Ardem os meus segredos na vida
Vivem árvores neste caminhar
Não
Não quero a beleza despida
Não quero a tua alma retida
Quero os meus segredos no meu mar.
Escrevem os meus sonhos poesia
Caminha o meu coração sem aqui estar
Não
Não quero que fiques por este dia
Não me quero perfumar de nostalgia.
Quero partir e já não voltar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Diz-me tu que o tempo
Passou por nós agora
Reiventou cada momento
Que morreu e foi embora
Diz-me tu que a hora
Que veio sozinha e sem luz
Fez do tempo sua demora
E este momento seduz
Diz-me tu que a demora
Que fez o tempo tardar
É já uma senhora
Mas não se sabe comportar
Diz-me tu se outrora
No tempo que para trás ficou
A vida era cor de amora
Ou esta vida sem cor ficou
Diz-me tu que o tempo
Neste momento sem fim
É apenas lamento ou vento
Que traz a vida até mim!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não,
Não me venhas dizer
Que te vestes de alegria
Não,
Não venhas simplesmente morrer
Nos lábios da minha agonia
Não,
Não venhas insultar
O tempo que em nós ficou
Vem,
Vem simplesmente abraçar
Deixar marcas
E perpetuar
O teu perfume
Que no meu corpo ficou!

quinta-feira, 15 de abril de 2010


Separa-nos um oceano de tempo
Ou um céu
Feito a partir do teu olhar
Junta-nos a voz dos teus segredos
Os gritos dos teus medos
A dança do teu caminhar
Toca-nos no riso
A suavidade
De uma fuga
De um querer fazer
Mas para a vida
Não há idade
Para a fuga
Não há segredos
Para o fazer só há vontade
Abraça-nos uma longínqua distância
Uma imensidão de folhas pintadas
Se para a distância não há lugar
Então para quê recusar
A junção das vidas separadas?

As águas que bailam nos rios sem margem
São feitas de luz neste meu caminho
Trazem-me à memória vestígios de imagens
E com elas já não vivo sozinho
As águas que voam na mente que passa
São pequenos sinais de um tempo vivido
Trazem-me ao caminho a morte da desgraça
Apagam as horas de um mundo sofrido
As águas que escrevem neste papel encantado
São leves pétalas de flores por inventar
Trazem-me ao pensamento um tempo passado
São águas, são tudo e nelas quero mergulhar
As águas que pintam sem telas nem cores
São feitas de riscos e riscam a vida
Trazem-me cheiros perfumados de sabores
Devolvem-me ao tempo o tempo da partida
As águas que vão neste rio sem foz
São águas tecidas de um véu que invento
Trazem-me de regresso a minha própria voz
Calam-me a tristeza, a solidão e o lamento.