terça-feira, 20 de julho de 2010

Sono

Tenho medo do meu sono
E do que nele possa encontrar
Receio as trevas
Os meus segredos
Cama nua onde deito os meus medos
Solidão descoberta do meu pensar

Tenho medo do que não sinto
Quando a noite me envolve e me circunda
Não me encontro
Não me desvendo
Sou mente apagada
Em noite ausente
Em escuridão profunda

Tenho medo do que não abarco
Se não envolvo o que me cerca
Não fecho os olhos aos meus sonhos
E as fantasias chegam sozinhas
Para que à noite na cama me perca

Tenho medo do que não vejo
Porque as sombras não me deixam antever
Sou corpo deitado
Mente sempre presa
Aos sonhos negros que não quero ter

Tenho medo do que não atinjo
Porque à noite não tenho luz
E se na verdade dos dias eu finjo
É o frio das noites que me seduz

Tendo medo não impeço
Que a noite me leve aos tempos apagados
Às vozes que não consigo resistir
Vem noite, leva-me nos teus braços
Todos os meus segredos serão desvendados
Porque és tu que me sabes ouvir

Dir-te-ei o caminho que vejo em sonhos
Verás as estrelas e o seu brilho penetrante e agudo
Falarei com as vozes que as trevas me trouxerem
Ficarei cego com a visão do destino
Que nada me dirá por ser mudo

Ficarei encantado e perderei o medo
De sonhar de noite na cama vazia
Serei eu no meu desvendar
E de manhã
No tempo de acordar
Libertarei o medo que no meu sono havia

1 comentário:

  1. Esse medo, vai desaparecer, meu amigo.

    Que excelência de poesia....

    Sou teu fã, Zé

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