terça-feira, 11 de maio de 2010

TEMPO

Há quanto tempo procuras
A cor de uma vida, o som de uma canção
O regresso de uma despedida
Vivida assim, cheia de emoção
Há quanto tempo esperas
Folhear livros que acabaste de redigir
Saltar cidades, países ou continentes
E voltar, sempre, mesmo sem saberes partir
Há quanto tempo aguardas
A suavidade das cores, novas matizes
Ir ao encontro das origens
Escondidas nas tuas raízes
Há quanto tempo anseias
Pelas horas que deixaste morrer
Nos prados, nos montes, nos rios
Porque tinhas pressa em viver
Há quanto tempo sufocas
Gritos dessa garganta que se querem soltar
Não receies, procura o tempo
Ladeia-o no seu caminhar
Há quanto tempo impedes
Que a vida se desenvolva em cores
Não duvides, há nova vida
A nascer em ti, sem dores
Há quanto tempo asfixias
Momentos que foste desenhando
Não suspeites desses momentos
Que em tua direcção estão caminhando
Há quanto tempo estrangulas
Bandeiras brancas na tua mão
Liberta-as, deixa-as voar
Segue na sua direcção
Há quanto tempo desconfias
Que não existe felicidade
Será desde o dia em que nasceste
Tem esse tempo a tua idade
Há quanto tempo suspeitas
Que a vida não te quer sorrir
Afoga as lágrimas, esconde-as ou liberta-as
Não tenhas medo de te descobrir
Há quanto tempo espelhas
Esse olhar perdido, parado
Enriquece-o com um brilho
Dá-lhe um tom iluminado
Há quanto tempo tens tempo
Para pensar em tudo, em nada
Foge do tempo e arranja tempo
Terás a alma libertada.

1 comentário:

  1. Gosto muito deste poema. Não te sei dizer porquê. Aliete

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